História

A necessidade do Brasil encontrar um novo meio de exercer a ciência se tornou assunto comum entre alguns pesquisadores. A história da Garatéa começa quando o engenheiro espacial Lucas Fonseca retorna ao Brasil após trabalhar na missão européia “Rosetta”. Em seu retorno, no começo de 2013, Lucas começa a divulgar a possibilidade de realizar missões espaciais fantásticas com baixo-custo através da tecnologia dos Cubesats.

Através de um convite do professor Daniel Magalhães da escola de engenharia de São Carlos (EESC-USP), Lucas começa a dar aula sobre Cubesats na universidade e logo surge o grupo Zenith Aerospace. O Zenith foi fundado como um esforço para aproximar alunos de graduação da temática espacial, principalmente porque a USP possuía vários grupos extra-curriculares, mas nenhum que abordasse esse tema do espaço. Lucas e Daniel, dividindo a orientação do grupo, logo começaram a perceber o potencial que aquela empreitada poderia gerar, e  assim começam a contatar parceiros americanos e europeus na tentativa de elaborar uma missão espacial conjunta. Nesse meio tempo, um contato com uma pesquisadora do Jet Propulsion Lab (JPL-NASA) resulta em uma ideia de uma possível missão conjunta, usando da tecnologia de Cubesats para missões além da órbita da terra. Essa parceria acabou não se concretizando, mas o grupo recebeu uma lista de 25 propostas de missões de baixo-custo para a lua, e aí foi plantada a primeira semente do que seria a nossa missão lunar brasileira.

Em uma de suas palestras, Lucas conhece o pesquisador Douglas Galante do laboratório nacional de luz síncrotron (LNLS). Douglas, o primeiro doutor teórico em astrobiologia no país, tinha a ambição de enviar amostras de micro-organismos para o espaço e logo uma sinergia nos assuntos reuniram ambos pesquisadores em um tema comum; enviar uma amostra para a lua. Esse encontro se deu no Instituto Mauá de Tecnologia, em um evento organizado pelo professor Vanderlei Parro. Vanderlei tinha intenção de trabalhar com tecnologia de Cubesats dentro da universidade, e resolveu organizar um evento focado na temática espacial. Tendo como objetivo maior desenvolver um Cubesat com 100% das atividades sendo executadas em território nacional, esse evento no final de 2013 se tornou o primeiro esforço na criação da equipe para a missão lunar brasileira.

Ao longo de 2014 e 2015, o Zenith foi crescendo de tamanho e começou a apresentar seus primeiros resultados. O grupo de Cubesats da Mauá também evoluiu consideravelmente, e com a demanda do Grupo Brasileiro de Astrobiologia, representado em nosso projeto pelo Douglas e o professor Fábio Rodrigues do Instituto de Química da USP, começou-se o planejamento de missões com balões de alta altitude para executar experimentos com micro-organismos.

Essa iniciativa se concretizou no lançamento de duas sondas estratosféricas em 2016: A Garatéa I e a Garatéa II. As sondas eram o primeiro trabalho em conjunto entre todos os times envolvidos, e foi desse esforço que saiu a ideia da Missão Garatéa. Ambas as sondas tiveram resultados expressivos, tendo a Garatéa I recebido o segundo lugar na competição global de balões científicos (organizado pelo MIT), e a Garatéa II o prêmio de projeto destaque na Campus Party de São Paulo.

Em uma tentativa de incluir outros grupos do estado de São Paulo que trabalhava com Cubesats, a equipe entrou em contato com o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) e o pesquisador Otávio Durão acabou se tornando o principal ponto de contato. A ideia da missão lunar já havia sido apresentada para o INPE em 2014, mas foi em 2016 que uma grande oportunidade apareceu. Através de um chamado europeu para uma missão lunar compartilhada, Otávio enxergou ser a oportunidade que precisávamos para colocar a ideia da missão lunar em prática e aplicamos ao edital em um esforço conjunto de todas as instituições aqui citadas. Após alguns meses, fomos convidados para integrar a primeira missão lunar de baixo-custo compartilhada. Para o processo de formatação da proposta brasileira, incluímos o professor Luis Loures do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA) e a professora Thaís Russomano da PUC do Rio Grande do Sul. Finalmente estava formada a equipe da Garatéa-L, a primeira missão lunar brasileira.

Além da lua

Com o convite para integrar a missão lunar promovida pelos europeus, logo ficou claro o grande potencial que esse projeto tinha em gerar vários benefícios para o país. Muito maior que o fato de colocar uma sonda em órbita lunar, a missão abriu oportunidade de atuação efetiva em várias frentes. De modo a objetivar um maior impacto em nossas ações, escolhemos basear nossas atividades suportadas por 3 pilares. Os pilares não devem ser encarados como iniciativas em separado, mas como complementos necessário para garantir total sucesso em nossas ambições. Queremos mudar a maneira que a ciência é vista e executada no Brasil. Estamos levantando a bandeira que não devemos manter a ciência centralizada na mão de iniciativas públicas, queremos engajar a iniciativa privada como parceira na demanda de execução de ciência no Brasil.