Garatéa na Mídia

Nossa mídia é carente de notícias relacionadas com ciência ?

-Lucas Fonseca, Diretor da Missão Garatéa

 

Ciência na Mídia

Recentemente uma repórter da rede Globo me perguntou: Lucas, você acha que a mídia sabota a ciência no Brasil ?

Sem muito pestanejar, respondi que não. Nós cientistas costumamos reclamar que não recebemos a devida atenção da mídia, mas na minha opinião, não sabemos vender o que fazemos.

Alguns podem afirmar que o Brasil não produz muitas pesquisas relevantes, ou que o índice h dos pesquisadores brasileiros em geral é baixo e por isso não geramos pesquisas interessantes para serem divulgadas pela mídia. Eu discordo em partes. A noção de qualidade de pesquisa ainda é muito debatida na comunidade científica  e não acho que seja premissa para os meios de comunicação saber o índice h de determinado pesquisador, e além disso eu conheço diversas pesquisas interessantes executadas no Brasil que poderiam facilmente estar presente na mídia e não estão.

Mas o que acontece então que vemos tão pouco sobre ciência brasileira nos jornais e televisão ?

O primeiro problema é mundial, cientistas não estão muito acostumados a divulgarem seus trabalhos para outras pessoas que não seja para revisão de pares ou publicações técnicas em revistas especializadas.  O sistema científico nos empurra para isso, e ele não está errado !

Segundo, a maior parte da ciência brasileira é feita no Brasil em órgãos públicos com dinheiro público. A verba da pesquisa tendo quase toda sua totalidade dependente do governo, não demanda que os resultados gerados sejam amplamente anunciados como contrapartida de sucesso da ação do investidor. De novo, não estamos errados nesse ponto também, pois o estado deve (ou deveria) saber da importância de se investir em ciência básica e não esperar assim uma ação de publicidade que promovesse a importância do trabalho realizado.

Entretanto precisamos popularizar a ciência (a para isso estar na mídia) por diversos motivos:

  • A ciência pode ser simbolizada como uma longa corrente de metal que é ligada por elos que representam gerações, se perdermos um elo dessa corrente por não despertar o interesse em determinada geração, a corrente vai se romper e estaremos colocando em risco o trabalho das gerações anteriores. Não adianta documentarmos apenas em formato de livros ou mídia digitais nossos avanças, precisamos ainda do educador de ciência para transmitir os ensinamentos para gerações futuras, mesmo que seja apenas para criar a fagulha inicial no jovem de forma que ele comece a buscar a ciência por si próprio.
  • O governo deve ser responsável pela manutenção da ciência no país, mas não devemos arriscar deixar essa responsabilidade apenas com eles. Estamos muito suscetíveis com o cenário político-econômico e podemos invariavelmente perder um dos elos da corrente por falta de interesse de determinada gestão política. Para trazer parte da responsabilidade para a iniciativa privada, precisamos massificar e vender a ciência para o público em geral. Como grande trunfo, achar meio de fazer uso desse esforço investido através de aplicações comerciais exponenciais que deem o retorno ao risco assumido. Afinal, fazer ciência básica com dinheiro privado não é lá muito atrativo, mas acreditamos que um novo ponto de vista possa ser aportado com resultados promissores a longo prazo.
  • Nós como nação, devemos nos orgulhar de nossos feitos, principalmente feitos que somam para a humanidade. E para alardearmos nossas conquistas, precisamos da ajuda da mídia. Só como exemplo, quantas pessoas sabem que estamos construindo uma nova fonte de luz síncrona no Brasil que será a mais moderna do mundo ?

Quando começamos a idealizar a missão Garatéa, propusemos tentar um modelo de ciência que tivesse participação efetiva da iniciativa privada, e assim sabíamos que deveríamos contar com a mídia para alcançar o sucesso. Então como primeiro passo, fomos escutar publicitários e pessoas ligadas ao marketing e saber como eles tratariam esse desafio na perspectiva deles. Eram tantos detalhes, termos e estratégias, que logo percebi como a ciência não está pronta para vender sua própria imagem . Devemos ceder, desmontar de nossos orgulhos e aceitar que não sabemos vender. Uma vez que aceitamos essa realidade, devemos trazer para perto pessoas que saibam fazer isso com excelência.

Assim que começamos a missão, escolhemos o jornalista Salvador Nogueira para assessorar nossas relações públicas; além disso, diversos profissionais de mkt vêm ajudando montarmos nossa estratégia de imagem e captação de recurso. Por último, a própria mídia tem gostado de nosso discurso e publicado com bastante frequência sobre a missão.

Em um feedback recente, ouvi de um grande executivo de mkt que a missão Garatéa ainda é um soluço, aparecendo da mídia com intermitência. Estamos longe ainda de se tornar uma marca reconhecida, reconheço esse gap. Mas temos essa mete ambiciosa e acreditamos que se trabalhada da forma correta por ambos os lados, cientistas e publicitários, podemos todos usufruir do resultado dessa união.  Temos como ponto muito favorável o fato de falarmos de espaço (quem não se empolga com espaço), e ter como objetivo maior uma viagem incrível para a Lua.

Estou satisfeito com nossa trajetória até aqui, temos tido exposição nos maiores veículos do país e agora estamos prontos para deixar de ser um soluço e se tornar a frente de ciência mais conhecida do país. Como resultado, podemos ver na imagem abaixo de alguns dos eventos e veículos midiáticos que já cobriram nossa história.

 

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